terça-feira, 29 de novembro de 2011

A tal palmada...


Eu já escrevi aqui que sou EXTREMAMENTE CONTRA qualquer tipo de agressão contra as crianças, inclusive as palmadas. A quem julga a minha filosofia, já antecipo, isso não faz de mim uma mãe permissiva. Ao contrário. Sou bem rigorosa na educação da Manuela, a repreendo quando se faz necessário, falo firme, não amoleço, mas sempre com muita educação, respeito e amor. Isso é muito mais difícil, dá muito mais trabalho e requer de muita paciência. Mas isto para mim é um dos exercícios da maternidade. Buscar sempre o melhor. E não sou nenhuma expert no assunto, ainda estou no exercício do aprendizado. Mas definitivamente obter o efeito desejado na base do medo não é para mim a relação correta de educação. Eu não lido assim com as pessoas no ambiente de trabalho, com os amigos, então não seria diferente com a minha filha.

E daí que este assunto voltou a tona na semana passada, com a retomada da discussão do Projeto Lei em audiência pública promovida pela Comissão Especial da Educação Sem Uso de Castigos Corporais. Li algumas matérias a respeito e a repercussão disso perante a sociedade. Infelizmente, e aqui assumo o meu lado dessa história, muitas pessoas ainda acreditam que uma palmada é sim uma forma de educação. Mesmo que argumentem critérios para elas, eu concordo com a frase de uma fonte citada na matéria da Revista Crescer: “A palmada não funciona.”

Minha vizinha é uma pessoa boa, que ama sim seus filhos, mas é exemplo claro de uma maternidade de repetição da educação de seus pais. Ela é à favor e utiliza, até que com bastante frequência, o recurso da palmada. Eu não tenho muita intimidade com ela, mas em poucas conversas trocadas me lembro de ter falado umas três vezes para ela não bater nos filhos. Esse final de semana ela me contou um episódio que a levou a dar uma cintada nas pernas do filho de 13 anos. (Vejam só, quando digo que não tenho intimidade, não tenho mesmo. Ela só me contou isso porque como vizinhos de casa, ela queria me dar uma explicação pelo barulho ocorrido na última madrugada, que aliás, eu nem ouvi).

Ela: Deu 01h30 da manhã e nada dele entrar. Comecei a ficar preocupada, porque aqui é um condomínio, mas vai que num momento de desatenção do porteiro ele tivesse ido para rua, combinado alguma festa com um amigo da escola? Não podia ligar na casa de ninguém porque já era tarde. Então, saí pelo condomínio a sua procura. Nada dele. Liguei numas duas casa que ainda estavam com a luz acessa e na última fiquei sabendo que ele estava dormindo no carro do meu marido porque ficou com medo de entrar em casa, quando viu que já era 01h40. Mandei ele entrar e dei duas cintadas na perna dele. Isso é coisa que se faça?

A única coisa que eu consegui dizer foi: Ai, não bate nele. Conversa...

Ela seguiu com suas justificativas e eu pensava: Tá vendo porque bater não funciona? Ele fez o que fez por medo. E o medo é proveniente dessa relação.

Claro que entendo que ela ficou nervosa, que no fundo foi uma forma de extravasar seu sentimento de desespero. Mas ela de fato acredita que fez o seu melhor. E isso para mim é triste. É limitador, é fraco, é covarde.

O pior é que eu pensava que falar sobre isso tendo eu uma filha que nem completou dois anos era algo fácil. Até porque, como dar um tapinha na mão de uma criança de pouco mais de um ano? Impossível, né? Ledo engano. Um pai orientou a cuidadora da sua filha de apenas 9 meses a dar um tapinha em sua mão quando na hora de dormir ela começar a coçar as orelhas. Isto porque ela poderia perder os brincos. Oi??? Será que esse pai não vê que o corpo estranho ali é o brinco? Que o bebê não vai ao menos entender o que significa aquele tapa em sua mão? Isso não sai da minha cabeça desde a hora em que eu ouvi.

E para quem quiser ler a matéria da revista Crescer, que aliás traz algumas dicas interessantes sobre como lidar com as birras dos pequenos, segue o link: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI276085-10496,00-PALMADA+NO+DESCONTROLE.html

P.S: Hoje tem um post fresquinho lá no blog da Fisher. Leiam, comentem, nós adoramos! http://crescendocomseufilho.com.br/blog/revendo-conceitos/

6 pitacos:

Dea, a mamae da Nina disse...

concordo e tb sou contra, apanhei da minha mae e nao adiantou, nao tenho raiva dela e sei o qto doi apanhar mas confesso q ja dei tapinha na mao da Nina qdo ela bateu na minha cara apos fazer 2 aninhos, me senti muito mal e jurei q nao faço mais, so q ela tava entrando num esquema q minha cara era saco d pancada.
Aqui o esquema castigo d 2min na cadeirinha super nanny surte efeitos.
Bjs bjs

Andrea Fregnani disse...

Eu tenho as mesmas convicções quanto a educação de um filho, sei que cada dia vai se mais desafiador, Alice está entrando na fase das birras, mas eu e o pai nos orientamos muito, e o castigo físico ou psicológico não faz parte do que acreditamos,
bjs

Nine disse...

Compartilho com você das mesmas convicções e ainda pretendo aperfeiçõar e me ver longe dos raros (ainda bem!) gritos que dou!
Mas somos peixe fora dágua...a maioria concorda e defende o tapa...
Você falou uma coisa em que eu acredito: o medo da criança é inimigo da boa educação! Ter nos pais alguém para temer, é altamente prejudicial tanto para eles, os filhos, quanto para nós que perderemos a oportunidade de uma boa relação cfom eles.
Beijos,
Nine

Mariana - viciados em colo disse...

o povo fala de palmada pedagógica, mas nunca vi ninguém bater no filho de cabeça fria, de caso pensado. a palmada só serve para quem bate: para descarregar seus problemas!

sou contra!!! e sou a prova viva de que é possível crescer sem apanhar... e virar uma pessoa decente: os pais precisam aprender a lidar com suas frustrações de outra forma e precisamos encontrar formas de educar e dar limites respeitando o ser humano sujeito de direito que o filho é.

beijoca

Lilian Amorim disse...

Lá em casa as coisas funcionavam na base das surras. Eu nunca fui de apanhar muito, pois não era de aprontar, mas meu irmão tadinho, apanhou muito.
Agora vou confessar amiga, já dei umas palmadas no Davi e depois morri de culpa. Na prática, percebi que não é o caminho. As coisas funcionam melhor quando converso e o coloco para pensar.
Beijinhos pra vcs!

Elaine disse...

Assunto um tanto quanto controverso...
Sou absolutamente contra a lei que interfere no modo de educação dos pais, acho que já temos lei suficiente para isso e o papel do Estado não é dizer como os pais devem criar seus filhos, e sim punir os abuso.
Os conselhos tutelares são compostos por pessoas despreparadas, e muitos crimos acabam sendo cometidos porque o conselheiro "achou" que a denúncia não era relevante; cito como exemplo o caso de dois irmãos no Rio Grande da Serra que foram assassinados e esquartejados pelo pai e madastra, pois mesmo depois de terem ido sozinhos ao conselho tutelar para pedir ajuda, o conselheiro não lhes deu atenção.
Absurdo!
Meu pai nunca me bateu e dou graças a Deus por isso, porque se ele me batesse acho que ele me mataria porque ela era muito grande e muito forte.
Minha mãe não era de bater, só quando era absolutamente necessário e cheguei a agradecer-la pelos beliscões e "arremessos de chinelo"; hoje consigo avaliar que ela estava correta e agradeço pela educação que me deu.
O importante é ter em mente que criança tem que ter educação e respeito; bater na cara de uma criança é humilhante, gritar com ela no meio de todo mundo é bizarro, mas uma chinelada na bunda nunca matou ninguém, só que tem que ter critério e nossa sociedade anda sem critério, jaz aí o problema.
Eu não tenho filhos, mas o modelo de educação dos meus pais vai ser copiado: muita conversa, muito respeito, mas se folgar demais, uma chinelada pontual na fofinha região traseira não vai matar.
Outra coisa também tem a ver com a idade da criança: bater num bebê como a Manu de 2 anos é, no mínimo, insano; bater num jovem de 13 anos na madrugada é sinal de TPAS, só pode! Culpa da mãe que só lembrou do filho tarde da noite, bate nela!
Enfim, cada um cria seu filho como bem entender, desde que tenha respeito, bom senso e amor.